Inspiração – Relatório

A base da minha inspiração para “Ghost In The Machine” está na frase “Há três lados em cada história: o teu, o meu e a verdade” (a internet divide-se sobre a autoria da frase). No meu caso, descobri essa frase num álbum dos Extreme em 1992

Esta frase encapsula a minha inquietação sobre a forma como a verdade é construída, disputada e manipulada através das narrativas audiovisuais, especialmente no contexto da propaganda política e ideológica.

A história mostra-nos que o poder das imagens e dos discursos audiovisuais vai muito além da simples transmissão de informação — ele tem a capacidade de consolidar regimes, manter elites no poder e, ao mesmo tempo, alimentar revoltas e provocar quedas de governos. Desde os Newsreels da Segunda Guerra Mundial, usados para glorificar líderes e mobilizar populações, até à manipulação digital contemporânea através de deepfakes e algoritmos. 

As técnicas podem ter evoluído, mas o objetivo continua o mesmo: controlar a perceção da realidade e influenciar massas.

O que me interessa explorar no meu PMAD é precisamente esta dualidade: as narrativas audiovisuais como ferramentas de dominação e resistência. O meu PMAD reflete essa tensão ao apresentar versões contrastantes dos mesmos acontecimentos, expondo como a manipulação da imagem pode tanto legitimar um regime como precipitar a sua queda.

A escolha de uma estética retro-futurista, que combina televisores antigos com tecnologias digitais avançadas (como o deepfake), reforça essa continuidade histórica da propaganda audiovisual. A experiência imersiva e fragmentada, com múltiplos ecrãs e sobrecarga informativa, simula a sensação de estarmos constantemente expostos a narrativas concorrentes que disputam a nossa atenção e crença.

Com “Ghost In The Machine”, quero que o público saia do meu PMAD com uma perceção mais crítica sobre o que vê e ouve. Quero que compreenda que a verdade, longe de ser um conceito fixo, é um território em disputa, onde o poder se manifesta não só pelo que é mostrado, mas também pelo que é ocultado. A minha intenção não é fornecer respostas definitivas, mas provocar reflexão sobre a forma como as narrativas audiovisuais moldam a política, a ideologia e, em última instância, a história.

O meu PMAD “Ghost In The Machine” insere-se numa tradição artística que questiona o papel dos media na construção da realidade.

Artistas e obras inspiradoras:

“Propaganda: The Art Of Selling Lies” (2019)

É um documentário realizado por Larry Weinstein onde se questiona: Porquê somos tão facilmente seduzidos pela propaganda?

O documentário, segundo o seu realizador, “Traça a história da arte da persuasão desde o passado remoto até ao presente (2019), quando somos bombardeados por mais propaganda do que nunca. Este filme é uma advertência e um apelo à acção num momento precário da nossa história”

O documentário pode ser viso aqui

Joshua Ellingson 

Joshua Ellingson é um artista de VideoArte americano que cria obras que cruzam a luz, a eletrónica e o vídeo analógico e digital.

A obra deste aerista que me inspirou foi a criação de um trailer para a Audible sobre o livro 1984 de George Orwell.

Forensic Architecture

Coletivo artístico que usa tecnologia digital para reconstruir eventos políticos e denunciar manipulações de narrativas audiovisuais.

  • Obra relevante: Triple-Chaser (2019) — Um projeto que utiliza inteligência artificial para expor crimes de guerra através da análise de imagens.